A operação "Compliance Zero", mira a venda de títulos de crédito falsos. Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos (SP), tentando fugir para outro País.
A Polícia Federal (PF) prendeu nesta segunda-feira (17), Daniel Vorcaro, de 42 anos, dono do Banco Master, no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Segundo informações da PF, Vorcaro foi preso minutos antes de tentar fugir do País em um avião particular para Malta, na Europa.
O empresário é alvo da operação "Compliance Zero", que mira a venda de títulos de crédito falsos. A operação ocorre além de São Paulo, no Distrito Federal, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais.
Conforme a PF, o principal objetivo é combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional.
As investigações apontam o Banco Master emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. No entanto, esse retorno era irreal. Para a PF, este esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um investimento de renda fixa onde você empresta dinheiro para um banco e, em troca, recebe juros sobre o valor investido. Ele funciona com rentabilidade pré-fixada (taxa definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a um indicador como o CDI).
No total, a PF cumpriu todos os sete mandados de prisão, incluindo Angelo Antônio Ribeiro da Silva, um dos sócios do banco, que se apresentou à polícia na Capital Paulista.
Quatro outros diretores do banco também foram presos. Outros 25 mandados de busca e apreensão foram expedidos nos estados citados.
Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF em São Paulo, onde aguardará preso o andamento das investigações. Em nota, a defesa dele nega que seu cliente estivesse tentando fugir do País.
Para os advogados, Vorcaro viajaria para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde pretendia se encontrar com parte dos compradores Banco Master.
A prisão aconteceu horas após o consórcio liderado pelo grupo de investimento Fictor Holding Financeira anunciar a compra do Banco Master — e pouco mais de um mês após o Banco Central ter rejeitado a aquisição pelo BRB (Banco de Brasília).
No entanto, o BC emitiu um comunicado decretando a liquidação extrajudicial do Master e a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição. Com isso, qualquer negociação de compra em andamento é automaticamente interrompida.
O negócio com o grupo Fictor teria a participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos e previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar o caixa do Master, que passa por dificuldades financeiras. A compra ainda precisaria da aprovação do Banco Central do Brasil e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Fonte: Divulgação/G1 SP.