O vereador e outros quatros suspeitos, são acusados em um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A.

O vereador Senival Pereira de Moura (PT), foi preso pela Polícia Civil nesta quinta-feira (25), durante a Operação "Última Parada", sobre acusação de fraude na licitação de ônibus e lavagem de dinheiro, em São Paulo.
De acordo com informações, no inquérito aberto contra pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP), consta um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A.
Em nota a imprensa, a defesa de Senival informou que recebeu com profunda indignação a notícia da decretação de sua prisão temporária de seu cliente, no âmbito de investigação ainda em curso:
"O Vereador Senival Pereira de Moura recebeu com profunda indignação a notícia da decretação de sua prisão temporária no âmbito de investigação em curso. A medida causa enorme surpresa, sobretudo porque foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos e exige que todos os fatos sejam rigorosamente esclarecidos pelas autoridades competentes. O Vereador reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte. Por isso, recebe a investigação com serenidade, certo de que a verdade prevalecerá", disse a nota.
Condenado a morte
Segundo informações da Polícia Civil, Senival teria sido condenado à morte pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC), após supostas dividas com o grupo criminoso, mas acabou sendo perdoado em razão de sua influência Política e de sua capacidade de ressarcir parte dos prejuízos financeiros atribuídos a ele pelos criminosos.
A crise entre ele e grupo criminoso, começou após integrantes da facção passarem a desconfiar da administração financeira de Adauto Soares Jorge, então diretor-presidente da Empresa de Transportes Transunião e apontado pelas autoridades como representante de Senival na empresa.
No dia 04 de Março de 2020, Adauto Soares Jorge, acabou sendo morto a tiros por um suspeito, enquanto deixava o veículo no estacionamento de uma padaria, no bairro do Lajeado, na Zona Leste de São Paulo.

Integrantes do PCC descobriram que Adauto supostamente desviava recursos da empresa para abastecer um suposto "caixa dois", destinado à campanha de reeleição de Senival em 2020 e, ao mesmo tempo, deixava de fazer repasses que seriam de interesse da facção.
Os laudos da investigação afirmam que a situação desencadeou uma "ruptura de confiança" entre o PCC, Adauto e Senival.
Diante da suspeita de desvios, o operador do PCC Leonel Moreira Martins, conhecido como vulgo "Cabeça Branca", teria sido encarregado de resolver a questão por meio de um "Debate", que é quando os criminosos sentam juntamente com os acusados para fazer o chamado "Tribunal do crime".
Conforme o Ministério Público e a Polícia Civil, ao fim desse julgamento clandestino, tanto Adauto quanto Senival teriam sido "condenados à morte" pelo PCC.
Segundo informações de fontes para a Polícia, Senival teria sido perdoado pela organização criminosa (PCC). Os criminosos teriam perdoado, por ele ter bastante "influência Política" (uma forma do grupo criminoso ficar ainda mais perto do meio Político) e pela possibilidade de Senival ressarcir parte do prejuízo a facção.
Porém, diante deste perdão, os criminosos exigiram que Senival concordasse com a execução de Adauto, o que assim foi feito.
Outros presos
Além de Senival, o Ministério Público (MP) e a Polícia Civil decretaram o pedido de prisão a outros quatro envolvidos no esquema. São eles:
- Lourival Monário (vulgo Orelha): Presidente da Empresa e acusado de ser nomeado pelo PCC para garantir o escoamento de recursos ilícitos.
- Jair Ramos de Freitas (vulgo Cachorrão): Diretor informal e apontado como executor do homicídio de Adauto em 2020.
- Leonel Moreira Martins (vulgo Cabeça Branca): Supervisor operacional da Empresa e atuava como o interlocutor direto do PCC dentro da empresa, transmitindo ordens da facção.
- Devanil de Souza Nascimento (vulgo Sapo): Motorista e homem de confiança de Senival, identificado como participante no plano de execução de Adauto
Apreensões
A Polícia Civil apreendeu diversas planilhas internas que apontam Senival como "cooperado oficial" de pelo menos 13 ônibus da frota.

Segundo os investigadores, a expressão era utilizada para identificar o verdadeiro beneficiário econômico dos veículos, embora eles estivessem registrados em nome de terceiros ou da própria empresa.
Os rendimentos da frota eram sistematicamente desviados para Senival, que repassava parte destas quantias para o grupo criminoso.
Envolvimento da família
O esquema utilizava familiares e pessoas de confiança ligadas aos acusados, para ocultar patrimônio e interesses econômicos ligados a Senival.
A esposa dele, Maria de Lourdes Andrade de Moura, mãe de Ítalo e Vitor Andrade de Moura, também são alvos da operação. Um irmão de Senival, identificado como Rubens Pereira de Moura, também é citado nos altos.
O assessor parlamentar de Senival, Adão Lino dos Santos e também o motorista Devanil Sousa Nascimento, vulgo "Sapo", também são apontados como peças operacionais que asseguravam o controle fático do vereador sobre a empresa e suas subsidiárias.
Relatórios de inteligência financeira mencionados na investigação, apontam que Senival movimentou cerca de R$ 4,39 milhões entre os anos de 2019 e 2022.
Segundo os investigadores, haveria uma diferença superior a R$ 2,4 milhões entre os valores movimentados e os rendimentos oficialmente declarados pelo vereador. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
Fonte: G1.